O MAIOR ENGANO A QUE O MUNDO SE SUBMETEU
-- 03/03/2003
Através de aplicação descontextualizada de vários textos das
escrituras sagradas dos hebreus, os cristãos conseguiram passar ao mundo a idéia
de que Jesus de Nazaré foi o filho de Yavé enviado à Terra para a salvação da
humanidade. A história nada deixou sobre Jesus em seus dias. Mas uma simples
análise da própria Bíblia nos deixa claro que o Cristianismo é um dos maiores
enganos a que o mundo já se submeteu.
Mesmo até alguns anos após a data conhecida como da crucifixão de Jesus, o
Cristianismo não era algo expressivo. Os grupo de judeus que o tiveram como "o
Messias" era pequenino. Mas, à medida que outros povos ouviam dizer que um homem
fora morto e ressuscitara no terceiro dia e tudo estava previsto havia séculos,
o movimento cresceu até encher a Terra. O que o povo não sabia, e muitos não
sabem até hoje, é que os autores do Novo Testamento usaram textos que nada tinham a ver com
predição, ou era predições de coisas que deveriam ocorrer em tempos determinados
no passado e não ocorreram, adaptando tudo a Jesus. A isso deve em muito o
sucesso do Cristianismo.
Apresentarei aqui alguns dos textos que foram utilizados pelos apóstolos para
convencer o mundo de que Jesus fosse o prometido libertador.
A VIRGEM
“Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do
Senhor pelo profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual
será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco” (Mateus, 1: 22, 23).
Vejam o verdadeiro contexto, que os religiosos não conhecem:
“Portanto o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará
à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, quando ele
souber rejeitar o mal e escolher o bem. Pois antes que o menino saiba rejeitar o
mal e escolher o bem, será desolada a terra dos dois reis perante os quais tu
tremes de medo. Mas o Senhor fará vir sobre ti, e sobre o teu povo e sobre a
casa de teu pai, dias tais, quais nunca vieram, desde o dia em que Efraim se
separou de Judá, isto é, fará vir o rei da Assíria.” (Isaías, 7: 14-17).
Prossegue um pouco adiante:
“E fui ter com a profetisa; e ela concebeu, e deu à luz um filho; e o
Senhor me disse: Põe-lhe o nome de Maer-Salal-Has-Baz. Pois antes que o menino
saiba dizer meu pai ou minha mãe, se levarão as riquezas de Damasco, e os
despojos de Samária, diante do rei da Assíria.” (Isaías. 8: 3). Aí ficou mais
claro de quem o profeta falava. A VIRGEM referida era a profetisa, com quem
teria coabitado o profeta. E isso teria ocorrido nos dias em que a Assíria se
apoderou de Israel. Nada tinha a ver com uma virgem nos dias do Império Romano.
O UNGIDO DE BELÉM
“e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo,
perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. Responderam-lhe eles: Em Belém da
Judéia; pois assim está escrito pelo profeta:
E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais
cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de
Israel” (Mateus, 2: 4-6).
Vejamos o que dissera o profeta judeus:
“Mas tu, Belém Efrata, posto que pequena para estar entre os milhares de
Judá, de ti é que me sairá aquele que há de reinar em Israel, e cujas saídas são
desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade. Portanto os entregará até
o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz; então o resto de seus
irmãos voltará aos filhos de Israel. E ele permanecerá, e apascentará o povo na
força do Senhor, na excelência do nome do Senhor seu Deus; e eles permanecerão,
porque agora ele será grande até os fins da terra. E este será a nossa paz.
Quando a Assíria entrar em nossa terra, e quando pisar em nossos palácios, então
suscitaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Esses
consumirão a terra da Assíria à espada, e a terra de Ninrode nas suas entradas.
Assim ele nos livrará da Assíria, quando entrar em nossa terra, e quando calcar
os nossos termos. E o resto de Jacó estará no meio de muitos povos, como orvalho
da parte do Senhor, como chuvisco sobre a erva, que não espera pelo homem, nem
aguarda filhos de homens. Também o resto de Jacó estará entre as nações, no meio
de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leão novo
entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, as pisará e despedaçará,
sem que haja quem as livre. A tua mão será exaltada sobre os teus
adversários e serão exterminados todos os seus inimigos. Naquele dia, diz o
Senhor, exterminarei do meio de ti os teus cavalos, e destruirei os teus carros;
destruirei as cidade da tua terra, e derribarei todas as tuas fortalezas.
Tirarei as feitiçarias da tua mão, e não terás adivinhadores; arrancarei do meio
de ti as tuas imagens esculpidas e as tuas colunas; e não adorarás mais a obra
das tuas mãos. Do meio de ti arrancarei os teus aserins, e destruirei as tuas
cidades. E com ira e com furor exercerei vingança sobre as nações que não
obedeceram.” (Miquéias, 5: 2-15).
Nos dias em que esse texto foi escrito, o reino de Israel estava subjugado pela
Assíria, que era uma ameaça também para Judá. O profeta então afirmou que no
dia em que a Assíria entrasse na terra de Judá, tudo isso se cumpriria, e o
"Messias" (ungido), além de destruir a Assíria, estabeleceria um reino poderoso,
exercendo "vingança sobre as nações que não obedeceram".
Nada disso aconteceu, mas o povo continuou esperando que um dia surgisse esse
Messias. Para os judeus, que liam as profecias, Jesus não devia ter nada que os
fizesse pensar que ele fosse o referido messias. Contudo um grupinho se ajuntou
a ele e, após sua morte, através dessas montagens de textos, convenceu o mundo
de que ele fora o cumprimento das predições de Miquéias e de vários outros
textos, alguns dos quais nem eram predições, como o texto analisado a seguir.
DO EGITO CHAMEI MEU FILHO
Mateus, 2: 15: “e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o
que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho”.
Agora, vejam o texto completo, que nada tem de predição sobre um filho chamado,
mas o relato de um fato em que acreditavam os judeus:
“Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei a meu filho. Quanto
mais eu os chamava, tanto mais se afastavam de mim; sacrificavam aos baalins, e
queimavam incenso às imagens esculpidas. Todavia, eu ensinei aos de Efraim a
andar; tomei-os nos meus braços; mas não entendiam que eu os curava. Atraí-os
com cordas humanas, com laços de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo
de sobre as suas queixadas, e me inclinei para lhes dar de comer. Não
voltarão para a terra do Egito; mas a Assíria será seu rei; porque recusam
converter-se. Cairá a espada sobre as suas cidades, e consumirá os seus
ferrolhos; e os devorará nas suas fortalezas. Porque o meu povo é inclinado a
desviar-se de mim; ainda que clamem ao Altíssimo, nenhum deles o exalta. Como te
deixaria, ó Efraim? como te entregaria, ó Israel? como te faria como Admá? ou
como Zeboim? Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões à uma se
acendem. Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a
Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não virei com
ira. Andarão após o Senhor; ele bramará como leão; e, bramando ele, os filhos,
tremendo, virão do ocidente. Também, tremendo, virão como um passarinho os do
Egito, e como uma pomba os da terra da Assíria; e os farei habitar em suas
casas, diz o Senhor. Efraim me cercou com mentira, e a casa de Israel com
engano; mas Judá ainda domina com Deus, e com o Santo está fiel"
(Oséias, 11:1-12).
Quem era o "filho" citado? Israel, não Jesus. Quando Yavé teria chamado o filho.
Nos dias em que Moisés os teria tirado do Egito. E, qual foi a promessa contida
no texto aí citado? Buscar os israelitas que estava em servidão na Assíria e no
Egito e os fazer "habitar em suas casas", reunidos com o povo de Judá, que
estava ao lado do deus Yavé.
Observem que nem isso se cumpriu. Judá, que estava ao lado de Yavé, foi dominado
pelo Egito, sendo seu fiel rei Josias morto pelo faraó Neco, e, após a submissão
ao Egito, todos caíram sob Babilônia (II Reis, 22 a 24).
Constata-se aí que o texto nada tinha a ver com um messias nos dias dos romanos;
mas os cristãos distorceram o sentido do texto para fazer crer que Jesus fosse
esse messias.
MATANÇA DOS MENINOS
Mateus, 2: 16-18: “Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se
grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em
Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira
dos magos. Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias: Em Ramá se
ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não
querendo ser consolada, porque eles já não existem”.
Se um rei mandasse matar todos os meninos de uma cidade e seus arredores, isso
passaria despercebido como fato corriqueiro? Claro que não. Se não houve nenhuma
menção dessa barbaridade por ninguém da época, só sendo dito mais quarenta anos
depois, o mais racional é concluir que nada disso ocorreu.
Ademais, o evangelho de Lucas nega terminantemente essa estória.
“Quando se completaram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe
dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.
Terminados os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a
Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor, (conforme está escrito na lei do Senhor:
Todo primogênito será consagrado ao Senhor) , e para oferecerem um
sacrifício segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas, ou dois
pombinhos" (Lucas, 2: 21-24)...
"Assim que cumpriram tudo segundo a lei do Senhor, voltaram à Galiléia, para
sua cidade de Nazaré. E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio
de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. Ora, seus pais iam todos os
anos a Jerusalém, à festa da páscoa. Quando Jesus completou doze anos, subiram
eles segundo o costume da festa" (v. 39-42).
Eu resumo, conforme Lucas, Jesus nasceu em Belém, e foi circuncidado no
oitavo dia de vida e dias depois levado ao templo, e seus pais retornaram com
ele para Nazaré. Após, isso eles iam a Jerusalém todos os anos, até ele
completar doze anos. Não viveu nenhum tempo no Egito.
A GRANDE LUZ
“...para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:
A terra de Zabulom e a terra de Naftali, o caminho do mar, além do Jordão, a
Galiléia dos gentios, o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz;
sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou.
Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado
o reino dos céus” (Mateus, 4: 14-17).
O texto citado pelo evangelista está no capítulo 9 de Isaías. Nos dias desse
profeta, o povo de Israel estava subjugado pela Assíria. O profeta prometia um
livramento do povo.
Entretanto, o povo nunca viu a grande luz prevista. Saiu do jugo da Assíria e
caiu sob o do Egito e depois da Babilônia. Escapou posteriormente da Babilônia,
teve um pouco de folga sob o domínio medo-persa, mas caiu em seguida sob os
gregos e posteriormente sob os romanos, que, nos dias cristãos, os dispersou
pelo mundo. Nada do texto poderia aplicar-se a Jesus.
ELE TOMOU SOBRE SI AS NOSSAS ENFERMIDADES
“para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: Ele tomou sobre
si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças” (Mateus, 8:17).
Aí está um dos mais citados textos do Velho Testamento como se referindo a
Jesus. Entretanto, se o leitor continuar nos capítulos seguintes, verá que tudo
que o profeta dizia deveria ocorrer nos dias de Babilônia. E seria construída
uma nova Jerusalém, que não seria mais subjugada. Todavia, o que sabemos é que
ela foi reconstruída tempos depois, mas permaneceu por muito pouco tempo, sendo
destruída novamente, contrariando as previsões.
O SERVO DO SENHOR
“para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:
Eis aqui o meu servo que escolhi, o meu amado em quem a minha alma se compraz;
porei sobre ele o meu espírito, e ele anunciará aos gentios o juízo” (Mt
12:17, 18).
O texto aí citado está no capítulo 42 de Isaías. Se lermos até o capítulo 43,
vemos que a referência era a alguém livraria o povo do cativeiro de Babilônia.
FALANDO EM PARÁBOLAS
“para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Abrirei em parábolas a
minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo” (Mateus,
13:35).
As palavras aí recitadas fazem parte de um hino contido no Livro dos Salmos,
cap. 78. Não tem qualquer natureza de predição sobre ninguém que deveria vir,
mas é um relato de uma história em que criam os judeus.
O REI HUMILDE MONTADO EM JUMENTO
“Ora, isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Dizei
à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e montado em um jumento,
em um jumentinho, cria de animal de carga (Mateus, 21: 4, 5).
Vejamos o caso:
Nos dias do Império Medo-Persa, um dos profetas hebreus predissera:
“Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que vem
a ti o teu rei; ele é justo e traz a salvação; ele é humilde e vem montado sobre
um jumento, sobre um jumentinho, filho de jumenta. De Efraim exterminarei os
carros, e de Jerusalém os cavalos, e o arco de guerra será destruído, e ele
anunciará paz às nações; e o seu domínio se estenderá de mar a mar, e desde o
Rio até as extremidades da terra... O Senhor dos exércitos os protegerá; e eles
devorarão, e pisarão os fundibulários; também beberão o sangue deles como ao
vinho; e encher-se-ão como bacias de sacrifício, como os cantos do altar”
(Zacarias, 9: 9, 10, 15).
Segundo o profeta o salvador "viria montado sobre um jumento". Mas esse salvador
iria dominar o mundo "de mar a mar, e desde o Rio até as extremidades da terra"
e estabeleceria a paz mundial. Sabemos que nada disso ocorreu.
Nos dias Império Romano, que também diziam estar levando a "pax romana" a todas
as nações, surgiram alguns salvadores, que reuniram após si muitas pessoas, mas
caíram diante dos guerreiros de Roma.
Entre esses, parece que houve um chamado Yeshua, em alguns lugares chamado de
“nazareno”, em outros dito ter nascido em Belém.
Conhecedor da profecia, Yeshua (Iesus em latim, Jesus em português) procurou
mostrar ao povo que seria ele o ungido predito, conforme escreveu um dos seus
seguidores:
“Quando se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das
Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes: Ide à aldeia que está
defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela;
desprendei-a, e trazei-mos. E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei: O
Senhor precisa deles; e logo os enviará. Ora, isso aconteceu para que se
cumprisse o que foi dito pelo profeta: ‘Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem
o teu Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de
carga.’
Indo, pois, os discípulos e fazendo como Jesus lhes ordenara, trouxeram a
jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram os seus mantos, e Jesus montou. E a
maior parte da multidão estendeu os seus mantos pelo caminho; e outros cortavam
ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho. E as multidões, tanto as que o
precediam como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi!
Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!
Ao entrar ele em Jerusalém, agitou-se a cidade toda e perguntava: Quem é este? E
as multidões respondiam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia.
Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e
derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; e
disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém,
a fazeis covil de salteadores” (Mateus, 21: 1-13).
Isso nos dá uma idéia mais exata do que era plano de Jesus: ser mesmo um rei
como o povo esperava. Não reinou; mas os cristãos esperam que um dia reine.
AS TRINTA MOEDAS DE PRATA
“Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta
moedas de prata, preço do que foi avaliado, a quem certos filhos de Israel
avaliaram, e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor”
(Mateus, 27:9, 10).
Nessa, o evangelista se enganou até quanto ao autor do texto citado. Não foi
Jeremias, mas Zacarias que falou das trinta moedas de prata. Só que o texto nada
parece com o mencionado episódio de Judas Iscariotes. Veja abaixo:
"Abre, ó Líbano, as tuas portas para que o fogo devore os teus cedros. Geme, ó
cipreste, porque caiu o cedro, porque os mais excelentes são destruídos; gemei,
ó carvalhos de Basã, porque o bosque forte é derrubado. Voz de uivo dos
pastores! porque a sua glória é destruída; voz de bramido de leões novos! porque
foi destruída a soberba do Jordão. Assim diz o Senhor meu Deus: Apascenta as
ovelhas destinadas para a matança, cujos compradores as matam, e não se têm por
culpados; e cujos vendedores dizem: Louvado seja o Senhor, porque hei
enriquecido; e os seus pastores não têm piedade delas. Certamente não terei mais
piedade dos moradores desta terra, diz o Senhor; mas, eis que entregarei os
homens cada um na mão do seu próximo e na mão do seu rei; eles ferirão a terra,
e eu não os livrarei da mão deles. Eu pois apascentei as ovelhas destinadas para
a matança, as pobres ovelhas do rebanho. E tomei para mim duas varas: a uma
chamei Graça, e à outra chamei União; e apascentei as ovelhas.
E destruí os três pastores num mês; porque me enfadei deles, e também eles se
enfastiaram de mim. Então eu disse: Não vos apascentarei mais; o que morrer
morra, e o que for destruído seja destruído; e os que restarem, comam cada um a
carne do seu próximo. E tomei a minha vara Graça, e a quebrei, para desfazer o
meu pacto, que tinha estabelecido com todos os povos. Foi, pois, anulado naquele
dia; assim os pobres do rebanho que me respeitavam, reconheceram que isso era
palavra do Senhor. E eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o que
me é devido; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário, trinta moedas
de prata. Ora o Senhor disse-me: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que
fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao oleiro
na casa do Senhor. Então quebrei a minha segunda vara União, para romper a
irmandade entre Judá e Israel. Então o Senhor me disse: Toma ainda para ti os
instrumentos de um pastor insensato. Pois eis que suscitarei um pastor na terra,
que não cuidará das que estão perecendo, não procurará as errantes, não curará a
ferida, nem apascentará a sã; mas comerá a carne das gordas, e lhes despedaçará
as unhas. Ai do pastor inútil, que abandona o rebanho! a espada lhe cairá sobre
o braço e sobre o olho direito; o seu braço será de todo mirrado, e o seu olho
direito será inteiramente escurecido" (Zacarias, 11: 1-17).
Não encontramos aí sequer uma frase a que possamos dar o significado que o
evangelista quis dar.
NENHUM DOS SEUS OSSOS SERÁ QUEBRADO
"Porque isto aconteceu para que se cumprisse a escritura: Nenhum dos seus ossos
será quebrado" (João 19: 36).
Esse foi outra vez que um evangelista chamou de profecia o que era apenas um
hino do salmista. Vejamos um pouquinho mais dele:
"O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. Provai, e vede
que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. Temei ao Senhor,
vós, seus santos, porque nada falta aos que o temem. Os leõezinhos necessitam e
sofrem fome, mas àqueles que buscam ao Senhor, bem algum lhes faltará. Vinde,
filhos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor. Quem é o homem que deseja a
vida, e quer longos dias para ver o bem? Guarda a tua língua do mal, e os teus
lábios de falarem dolosamente. Aparta-te do mal, e faze o bem: busca a paz, e
segue-a. Os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao
seu clamor. A face do Senhor está contra os que fazem o mal, para desarraigar da
terra a memória deles. Os justos clama, e o Senhor os ouve, e os livra de todas
as suas angústias. Perto está o Senhor dOS QUE TÊM O CORAÇÃO QUEBRANTADO, e
salva OS CONTRITOS DE ESPÍRITO. Muitas são as aflições do justo, mas de
todas elas o Senhor o livra. Ele lhe preserva todos os ossos; nem sequer um
deles se quebra. A malícia matará o ímpio, e os que odeiam o justo serão
condenados. O Senhor resgata a alma dos seus servos, e nenhum dos que nele se
refugiam será condenado. (Salmos, 34: 7-22).
O que vemos aí é um hino que apresenta um deus justo, que protege os seus
seguidores de todos os males e pune os ímpios. Mas a realidade que vemos é bem
outra, que coincide com o que disse outro dos escritores bíblicos:
“Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e
ao mau, ao puro e ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica;
assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o
mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo"
(Eclesiastes, 9: 2 e 3).
As análises históricas mostram que nada ficou escrito sobre Jesus em seus dias,
o que nos dá uma idéia da insignificância de seu grupo. Entretanto, usando
textos descontextualizados, algumas décadas depois, os evangelistas convenceram
o mundo de que Jesus fosse o messias salvador de que falaram os profetas de
Judá. O incrível é que os que hoje continuam citando essas coisas fecham os
olhos e tampam os ouvidos quando mostramos esses enganos.