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JUSTA DISCRIMINAÇÃO -- 22/02/2003 -
“Entrando, não fume; fumando, não entre”. Esta frase está em
uma seccional de delegacia de polícia. Expressa o desejo que a maioria tem de se
ver livre dos fumantes.
Alguns fumantes mais insistentes já têm tentado até obter apoio sob a alegação
de que o antitabagismo é prática discriminatória. E não estão de todo errados. É
realmente discriminação. Mas nem por isso mereceriam ser poupados dos
constrangimentos que ultimamente têm chegado ao mundo jurídico pesando muito
contra eles.
A nossa Constituição e nossas leis tentam evitar discriminação em razão de sexo,
idade, cor da pele, etc., o que é muito justo. A pessoa negra não escolheu a cor
da pele e não pode se livrar dela, com exceção de Michael Jackson. O sexo
ninguém escolheu, pelo menos para nascer. A idade é inevitável: todos nos, na
mesma ordem, somos crianças, adolescentes, adultos e velhos, com exceção
daqueles que se matam prematuramente ou são atingido por algum acidente ou
doença fatal.
O vício, por sua vez não é uma fatalidade da vida. O indivíduo que fuma escolheu
seu hábito intoxicante e repugnante à maioria das pessoas (fumantes estão hoje
na proporção de menos de um quinto da população); merece, portanto, as
restrições que a sociedade e as leis impõem. Seria injusto e antidemocrático
permitir que em cada dez pessoas uma ou duas ficasse envenenando o ambiente das
demais.
Se você acha que fumar compensa todas as conseqüência, continue; porém, não se
julgue no direito de submeter as outras pessoas ao incômodo provocado pelo seu
vício. Você pode fazer da sua vida o que quiser, mas não tem direito sobre as
dos outros.
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