HOMOSSEXUALISMO OU HOMOSSEXUALIDADE - SUAS CAUSAS

 

A homossexualidade é uma anormalidade, não podemos negar; porque normal é a atração entre um macho e uma fêmea. Entretanto, ser uma anormalidade não é razão para se perseguir o homossexual, combatê-lo, etc. Não é justo tratá-lo como um degenerado moral, como fazem a maioria das religiões, e com muita base em seus livros sagrados. Suas razões são muito discutidas, havendo pouco consenso sobre o que sejam suas causas. Mas, com o cruzamento das diversas pesquisas atuais, a ciência parece caminhar no sentido de concluir que a principal causa da homossexualidade é biológica, não um opção como muitos pensam. Não me parece que escolheram ser o que são, mas simplesmente nascem com tal tendência sexual. Não seria um problema psicológico como muitos pensam, mas sim uma anormalidade genética. Eles devem ter respeitados seus direitos tanto quanto os heterossexuais.

Para quase todos os religiosos, o homossexualismo é simplesmente uma degeneração moral. Não aceitam os dados científicos que apontam o que podemos chamar de falha da natureza. Isso seria rebaixar a perfeição do deus criador de todas as coisas.

Para determinados espíritas, a causa do homossexualismo é a chamada “reencarnação”. Uma pessoa vive várias vidas como mulher e depois nasce homem, mas não aceita seu sexo.

E há até alegação de religiosos, de outras religiões, é claro, atribuindo ao espiritismo responsabilidade por casos homossexualismo, como o texto a seguir:


“São inúmeros os casos de homens e mulheres que nunca sentiram qualquer atração por pessoa do seu próprio sexo, mas que depois de certos rituais religiosos começaram a manifestar tendências homossexuais e passaram a praticar o homossexualismo. Estes relatos vêm especialmente de pessoas envolvidas com umbanda, candomblé, espiritismo e religiões afins.” (http://www.getsemani.com.br/biblia/estudos.asp?htm=saindo).

“...o homossexual masculino ou feminino é basicamente um homem ou uma mulher por determinação genética, com orientação homossexual por preferência aprendida" (Masters e Johnson, especialistas em sexo).

"...não existe fundamento no qual possa se justificar a hipótese de que homossexuais ou bissexuais de qualquer grau ou tipo tenham cromossomos diferentes dos heterossexuais" (Dr. John Money, principal pesquisador de sexo da Universidade Johns Hopkins - www.pilb.t5.com.br/moses.htm).

Importante levar em consideração que as três citações acima também foram retiradas de páginas religiosas. “pilb.t5.com.br” é “Programa de Incentivo a Leitura da Bíblia”.

Para os hebreus, a homossexualidade era uma grande abominação, punida com a morte:

Com homem não te deitarás como se fosse mulher; é abominação” e “Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles”. (Levítico, 18: 22; 20: 13). Era segundo o pensamento deles, a vontade de Yavé, o deus criador de todas as coisas.

Para o Cristianismo, a ideia não mudou. O seu principal teórico escreveu:

"Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza; semelhantemente, os homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Romanos 1:26-27).

E o mais bizarro é que seria o próprio Deus que os teria entregue à dita prática abominável, que ele próprio tanto detestava. Você conduziria seu próprio filho para fazer algo que você detesta? Certamente que não, mas o deus perfeito, justo e bom dos hebreus e cristãos o faz.

Primitivamente o Cristianismo não punia os pecadores como os hebreus, apenas os consideravam destinados à punição em um dia de juízo divino:


"Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas ... herdarão o reino de Deus" (1 Coríntios, 6:9-10).

Só quando chegaram ao poder, passaram a aplicar as penas cabíveis. Parece que viram que não seria boa ideia entregar nas mãos de deus.

“Na história da humanidade, mais precisamente na Idade Antiga, a prática de sexo entre homens era considerada relativamente normal entre os jovens. Na Grécia, idolatrava-se o amor e a beleza na sua forma mais pura, sendo muito comum o relacionamento homossexual entre os jovens e entre estes e seus mentores. Em Roma, a prática de relações entre pessoas do mesmo sexo também era comum, no entanto, um homem não poderia ser passivo sexualmente em relação a seus subalternos, havendo uma certa hierarquia de poder.

Foi no final do século XIX que o estudo mais detalhado sobre "as perversões" ou "os invertidos" chamou a atenção dos sábios da época.

Freud acreditava que os homossexuais eram invertidos na sua atração sexual e que, diferentemente da maioria das pessoas que viam o genitor de sexo oposto como objeto de desejo, almejavam o de mesmo sexo.

Seguiu-se uma legislação repressiva, com leis proibindo o homossexualismo e punindo seus praticantes. Em 1951, o relatório de Ford-Beach apontou que de 190 sociedades do mundo, 76 tinham práticas homossexuais. Destas, 64% encaravam tal prática como normal.

Mas ainda hoje, alguns países condenam os homossexuais. Há pouco tempo, na Turquia, um grupo de 52 homens supostamente homossexuais foi preso por ‘fazer das práticas homossexuais um princípio fundamental do grupo, a fim de criar divergências sociais’.

Desde a década de 80 do século passado, o Homossexualismo foi retirado dos manuais de diagnósticos psiquiátricos como transtorno patológico. É citado apenas como uma opção de vida e visto como um transtorno somente se tal opção causa algum tipo de estresse ou depressão na vida da pessoa.

Parte dos terapeutas acredita ainda que o Homossexualismo é uma doença psiquiátrica que só foi retirada dos manuais por forças políticas. Para os psicanalistas, o assunto permanece como um desafio, também oscilando entre estes dois vértices. Muitos cientistas consideram a multicausalidade para o homossexualismo. Levam em consideração alguma predisposição genética, alterações hormonais durante a gestação, traumas infantis e mau relacionamento familiar e fatores sociais negativos” (ABC do Corpo Salutar).

O mesmo artigo que toma a umbanda, candomblé, espiritismo e religiões afins como causa de homossexualismo procura negar o que estudos recentes vêm indicando, nos seguintes dizeres:

“As pessoas que utilizam este argumento afirmam que há "causas biológicas" para o homossexualismo. Segundo esse argumento, os homossexuais (tanto homens como mulheres) já nascem assim. Quem defende esta ideia procura sempre transmitir uma aparência de verdade cientificamente comprovada e inquestionável. Estudos para provar que o homossexualismo é genético já foram feitos, mas sem qualquer êxito. Muitos cientistas - alguns dos quais homossexuais e simpatizantes - têm-se esforçado em achar qualquer prova, mas tudo o que conseguiram foi fortalecer o fato de que o homossexualismo não é genético.” (http://www.getsemani.com.br/biblia/estudos.asp?htm=saindo).

Enquanto isso, temos notícias de testes hormonais, testes de olfato, exames de tomografia ressonância magnética, etc. mostrando que um homem homossexual tem uma preferência por cheiro semelhante a de uma mulher heterossexual e vice versa, a estrutura cerebral de um homossexual é parecida com a de pessoa heterossexual do sexo oposto.

Olfato de homossexual é semelhante ao de pessoa heterossexual do sexo oposto:

“Esses estudos, feitos por pesquisadores na Suécia, são uma possível comprovação de uma ideia controversa: a de que seres humanos são capazes de produzir e detectar "feromônios", substâncias que atraem parceiros sexuais pelo olfato e que são empregadas por várias espécies animais.

Foram estudados dois candidatos a feromônios, um derivado do hormônio sexual masculino testosterona conhecido pela sigla "AND" (de "andrógeno") e um outro, o "EST", relacionado ao hormônio feminino estrógeno.

Os pesquisadores do Instituto e da Universidade Karolinska, de Estocolmo, já haviam demonstrado que uma região do cérebro conhecida como hipotálamo fica ativa quando homens cheiram o "EST" e quando mulheres cheiram o "AND". O "EST" foi localizado na urina de mulheres. Já o "AND" é mais facilmente detectável no suor dos homens.

O novo estudo, feito por Ivanka Savic, Hans Berglund e Per Lindström, foi publicado na revista da academia de ciências dos EUA, a "Proceedings" (www.pnas.org), e também envolveu voluntários homossexuais masculinos.

...

Todos os voluntários reagiram do mesmo modo aos odores comuns, ativando as zonas do cérebro ligadas ao olfato. A ativação do hipotálamo ocorreu com o "AND" e "EST", e os homossexuais reagiram do mesmo modo que as mulheres.” (http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u13218.shtml)

Estrutura cerebral de homossexual é semelhante à de pessoa heterossexual do sexo oposto:

O cérebro de um homem gay é mais parecido com o de uma mulher heterossexual do que com o cérebro de um homem heterossexual. É o que mostra estudo feito na Suécia, que revelou as provas mais sólidas de que a sexualidade não é uma opção, mas uma característica biológica. Por meio de exames de ressonância magnética, cientistas compararam as dimensões dos dois hemisférios do cérebro em 90 pessoas, entre homo e heterossexuais. Eles mostraram que o tamanho e a forma do cérebro variam de acordo com a orientação sexual da pessoa. O cérebro de um homem gay parece com o cérebro de uma mulher hétero – com os dois hemisférios mais ou menos do mesmo tamanho. O cérebro de uma lésbica parece o cérebro de um homem hetero" (Fonte: Jornal de Montes Claros, 17/06/2008, citado em http://www.gpgbh.com.br/sexo,-sexualidade-no-opo,18.html).

Segundo meu professor de Medicina Legal na UFMG, um medicamento tomado pela mãe grávida pode inverter a produção de hormônios, levando ao desenvolvimento de órgão sexual contrário, uma vez que o tecido que forma o pênis é originalmente o mesmo que se transforma em vagina. É a produção hormonal que determina o desenvolvimento. Por exemplo, um feto que seria uma menina, ao receber uma alta carga de testosterona causa pelo efeito do medicamento, desenvolve um pênis. Ao nascer, aquele indivíduo com cérebro feminino e órgão masculino tende a ter preferência sexual por homens, embora tenha órgãos masculinos.

Um conhecido homossexual, que dizia não sentir mesmo nada junto de uma mulher, me fez uma pergunta: “Porque eu sou assim?” Eu lhe passei a versão aprendida na faculdade.

Bons argumentos tem o Grupo Gay da Bahia:

“Muitos adultos sentem atrações ou têm experiências do tipo homossexual sem que se considerem eles próprios gays ou lésbicas”. De acordo com o que entende o GGB, não é ainda conhecida uma causa para a homossexualidade ou para a heterossexualidade.


“Uma das teorias refere que a orientação sexual é determinada da fase pré-natal. Outra teoria defende que é determinada depois do nascimento, por fatores ambientais. Em qualquer dos casos, a orientação sexual é estabelecida numa idade muito precoce”, explica.

Os militantes do Grupo Gay da Bahia são ainda mais taxativos ao desenvolver o assunto da escolha da orientação sexual: Descrever a homossexualidade como um simples caso de escolha é ignorar a dor e confusão por que passam tantos homens e mulheres homossexuais quando descobrem a sua orientação sexual. É absurdo pensar que esses indivíduos escolheram deliberadamente algo que os deixa expostos à rejeição por parte da família, amigos e sociedade, discursam. Eles vão mais longe: “A crença que a homossexualidade é uma escolha, esconde a elevada taxa de suicídios entre adolescentes atribuídos à orientação sexual. Porque iria um adolescente acabar com a sua vida, se podia, pura e simplesmente, evitar a vergonha, o medo e o isolamento escolhendo ser heterossexual? Este preconceito também ignora todos os homossexuais que tentaram viver a sua vida como heterossexuais, escondidos atrás de uma fachada de casamento, sempre sentido um vazio e falta de realização pessoal”, argumentam, baseados no Summary of Studies on the Origin of Sexual Orientation, que citam como fonte na sua página na Internet.” (Boa Saúde: http://boasaude.uol.com.br).

Dúvidas ocorrem até mesmo entre os pesquisadores sérios; pois não têm certeza se as diferenças cerebrais são causas ou conseqüências da homossexualidade.

Por outro lado, temos um fator a levar em consideração: a homossexualidade existe em quase todas as espécies animais, o que é um forte indicador de que a prática não procede de influência social, mas de alguma causa biológica.

A Superinteressante de agosto/1999 “trás matéria arrebatadora sobre a vida sexual dos animais, mostrando que a prática homossexual é recorrente em praticamente todas as espécies. Com isso cai por terra o argumento de muitos intransigentes de que a homossexualidade seria um desvio da natureza. Se até mesmo o rei leão faz das suas, por que não nós?” (http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/especiais/animais.asp).

E, corroborando o fato, todos os homossexuais com quem já tive oportunidade de abordar o tema me disseram que desde a infância já sentiam o desejo de relacionar sexualmente com pessoas do mesmo sexo. Nenhum disse ter aprendido ou experimentado e gostado, mas simplesmente desejado desde cedo.

Como todos os estudos acima, que apontam semelhanças estruturais cerebrais entre homossexuais e heterossexuais de sexo oposto; considerando a alta incidência homossexual entre várias espécies animais; levando em conta o fato de pessoas homossexuais não conseguirem se libertar de sua condição ainda que tentem; podemos crer que estamos bem próximo de uma conclusão segura de que, salvo poucas exceções de haver pessoas que se tornaram homossexuais por causas posteriores ao nascimento, as causas preponderantes são pré-natais. Parece bem lógico que a alteração da produção hormonal durante a gestação é uma causa importante do desvio sexual. Acho justo que existam leis assegurando seus direitos e que, apesar de considerar uma anormalidade, eles devem ser aceitos como as outras pessoas e ter o direito de satisfazer seus desejos assim como os heterossexuais o têm de concretizar os seus. Assim sendo, perseguir um homossexual não é mais justificável do que perseguir um cego, um surdo, um mudo, etc. que não escolheu ser assim.

 

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