HINO RACIONAL ATUAL

 

Ouviram os gados nas pastagens áridas
De um povo pobre o brado retumbante,
E só disparidade em saltos súbitos,
Sufoca essa pátria todo instante.

 

Se a pior desigualdade
Conseguimos suportar de sul a norte,
Eu receio a sociedade
Venha ter nos seus proventos mais um corte.

 

Está tramada
outra arrancada,
Salve-se! Salve-se!

 

E assim, um sonho intenso e um raio vívido
De amor de esperança desvanece,
E se é teimoso, é bisonho e ríspido,
A imagem do grosseiro prevalece.

 

Gritante pela própria natureza,
Perverso é o golpe, um trágico destroço!
E o futuro espera mais pobreza.

 

Perda agravada,
Entre outras mil,
É tudo ardil,
É pataquada.

 

Salário neste solo está tão vil!
Está danado o Brasil!

 

Se lá no parlamento é um berço esplêndido,
O pobre está lá num buraco fundo,
Agruras sofre o pobre e mais miséria,
Desanimado, só, num poço imundo.

 

Do que inferno mais ardido
Os estranhos fins dos planos têm mais dores,
Nossos pobres têm mais perdas,
E dessas perdas vem receio mais horrores.

 

Está tramada
outra arrancada,
Salve-se! Salve-se!

 

E assim, o engodo eterno segue o ritmo
De medidas que sustentam o outro lado,
Intriga e o dolo destes fâmulos
Faz um futuro inglório, ultrapassado.

 

Se o germe da injustiça está bem forte,
Será que, se você não for à luta,
É alguém que espera agora a própria sorte.

 

Perda agravada,
Entre outras mil,
É tudo ardil,
É pataquada.

 

Salário neste solo está tão vil!
Está danado o Brasil!

Ver  POESIA

 

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