EU NÃO SERIA ATEU -- 18/05/2001 - 19:25 (JOÃO
DE FREITAS)
Eu não seria ateu...
Pelo simples fato de haver milhares de igrejas, cada uma com uma doutrina,
pregando a vontade de Deus de formas diversas;
Só por as religiões serem a maior causa de guerras em todas as fases da
história;
Nem em razão de os períodos mais brutais terem os ocorridos sob domínios
político-religiosos;
Nem mesmo por haver tantas pessoas muito religiosas, mas de comportamentos
reprováveis, como apropriar-se de coisas alheias;
Nem ainda por ser a religião o maior subterfúgio dos grandes fraudadores da
boa-fé da população;
MAS
É assaz debilitante da fé a chamada palavra de Deus afirmar que um deus
onipotente, onisciente, perfeito, justo e bom vingue “a iniqüidade dos pais nos
filhos até a terceira e a quarta geração” (Deuteronômio, 5: 9).
Já o grande número de contradições e afirmações anticientíficas e outras
absurdas, que nos revela ser a dita palavra divina produto das concepções
humanas da época em que foi escrita é mais do que suficiente para ruir todo o
resto de fé. Um deus com as qualidades atribuídas pela Bíblia não se poderia
deixar anunciar por afirmações contraditórias, anticientíficas, injustas ou
absurdas.
Se o que se chama palavra de Deus está impregnada dessas características de
atraso social, não consigo achar razão para crer em qualquer divindade. Se essa
palavra está vazia de prova da existência de divindade, e não encontrei qualquer
outro fator que possa considerar manifestação divina, repetindo Luis Buñuel,
“continuo ateu graças a Deus.”
Acreditar que haja um ser todo poderoso e justo que vá nos recompensar por tudo
de bom que fizermos e dar-nos uma vida eterna, cheia de prazer e sem qualquer
sofrimento é muito melhor do que aceitar que estamos em um campo de batalha
competindo com milhões de adversários e que, por muito que vençamos, um dia
seremos irremediavelmente derrotados pela morte.
Todavia, sem um suporte lógico em que firmar a nossa crença na existência desse
ser maravilhoso, não consigo enganar a mim mesmo para ser feliz.
Por outro lado, nem sempre vejo tanta felicidade em quem acredita que terá um
dia essa vitória final (se muitos dos suicidas crêem em Deus, isso mostra que
poucas vezes a fé traz felicidade). Aceito a vida com seus momentos felizes e os
infelizes, tentando fazer que os primeiros superem os últimos.
Apesar da existência de todos os males praticados em nome de Deus, eu não seria
ateu, se a chamada “palavra de Deus” não me informasse que não existe um deus.
Ver também EU NÃO SERIA ATEU,
SE POSSÍVEL.
Para detalhes, veja sobre: