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OS EXTREMOS SÃO RUINS -- 24/09/2005
O QUE É O ESTRESSE
O estresse
é a alteração global de nosso organismo para adaptar-se à uma situação nova
ou às mudanças de um modo geral. O estresse é um mecanismo normal,
necessário e benéfico ao organismo, pois faz com que o ser humano fique mais
atento e sensível diante de situações de perigo ou de dificuldade. Mesmo
situações consideradas positivas e benéficas, como é o caso por exemplo das
promoções profissionais, casamentos desejados, nascimento de filhos, etc.,
podem produzir estresse.
Do ponto de vista pessoal, mudanças ocorrem em nossas vidas continuamente e
temos sempre de estar nos adaptando à elas. Nesses casos o estresse funciona
como um mecanismo de sobrevivência e adaptação, necessário para estimular o
organismo e melhorar sua atuação diante de circunstâncias novas.
Do ponto de vista social e cultural as mudanças cotidianas, em si, não são
novidade na civilização humana, elas são, na realidade, a base da evolução
de nossa espécie. O que, talvez, seja novo ao ser humano e perigoso à sua
saúde, é a velocidade sem precedentes com a qual essas mudanças e as
exigências que elas propiciam acontecem na vida moderna. Essas mudança estão
em toda a parte; mudanças importantes na tecnologia, na ciência, medicina,
ambiente de trabalho, nas estruturas organizacionais, nos valores e costumes
sociais, na filosofia e mesmo na religião. Há continuamente uma enorme
solicitação de adaptação às pessoas em geral, tanto para os jovens como para
os mais
velhos.
Como é o Estresse
Em tese,
estresse é a resposta fisiológica, psicológica e comportamental de um
indivíduo que procura se adaptar e se ajustar às pressões internas e/ou
externas. Essas pressões, capazes de levar ao estresse, são chamadas de
Fatores Estressantes ou Agentes Estressores. Assim sendo, Fator Estressor é
um acontecimento, uma situação, uma pessoa ou um objeto capaz de
proporcionar suficiente tensão emocional, portanto, capaz de induzir à
reação de estresse.
Os fatores estressantes podem variar amplamente quanto à sua natureza,
abrangendo desde componentes emocionais, como por exemplo a frustração,
ansiedade, até componentes de origem ambiental, biológica e física, como é o
caso do ruído excessivo, da poluição, variações extremas de temperatura,
problemas de nutrição, sobrecarga de trabalho, etc.
Quando nosso cérebro, independentemente de nossa vontade, interpreta alguma
situação como ameaçadora (Fator Estressante), nosso organismo passa a
desenvolver uma série de alterações denominadas, em seu conjunto, de
Síndrome Geral da Adaptação ao Estresse. Na primeira etapa dessa situação
ocorre uma Reação de Alarme, onde todas as respostas corporais entram em
estado de prontidão geral ou seja, todo organismo é mobilizado sem
envolvimento específico ou exclusivo de algum órgão em particular. É um
estado de alerta geral, tal como se fosse um susto.
Se esse estresse continua por um perío-do mais longo sobrevém a Segunda
fase, chamada de Fase de Resistência, a qual acontece quando a tensão se
acumula. Nesta fase o corpo começa a acostumar-se aos estímulos causadores
do estresse e entra num estado de Resistência ou de Adaptação. Durante este
estágio, o organismo adapta suas reações e seu metabolismo para suportar o
estresse por um período de tempo. Neste estado a reação de estresse pode ser
canalizada para um órgão específico ou para um determinado sistema, seja o
sistema cardiológico, por exemplo, ou a pele, sistema muscular, aparelho
digestivo, etc.
Entretanto, a energia dirigida para adapta-ção da pessoa à solicitação
estressante não é ilimitada e se o estresse ainda continuar, o corpo todo
pode entrar na terceira fase, o Estado de Esgotamento, onde haverá queda
acentuada de nossa capacidade adaptativa
FISIOLOGIA
DA SÍNDROME GERAL DE ADAPTAÇÃO
A Síndrome
Geral de Adaptação descrita por Selye consiste, como vimos, em três fases
sucessivas: Reação de Alarme, Fase de Resistência e Fase de Exaustão. Sendo
que a última, Fase de Exaustão, é atingida apenas nas situações mais graves
e, normalmente, persistentes.
Vejamos
uma a uma.
Reação de
Alarme
A Reação de Alarme subdivide-se em dois estados, a fase de choque e a fase
de contra-choque. As alterações fisiológicas na fase de choque, momento onde
o indivíduo experimenta a ameaça ou estímulo adverso (estressor), são muito
exuberantes (Quadro 1).
Durante a Reação de Alarme, participa ativamente do conjunto das alterações
fisiológicas o chamado Sistema Nervos Autônomo (SNA). Trata-se, este SNA, de
um complexo conjunto neurológico que controla, autonomamente, todo o meio
interno do organismo, através da ativação e inibição dos diversos sistemas,
vísceras e glândulas.
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ALTERAÇÕES INICIADAS
NA FASE DE CHOQUE DA REAÇÃO DE ALARME |
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ALTERAÇÕES |
OBJETIVOS |
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a) aumento da
frequência cardíaca e pressão arterial |
o sangue circulando
mais rápido melhora a atividade muscular esquelética e cerebral,
facilitando a ação e o movimento |
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b) contração do baço |
levar mais glóbulos
vermelhos à corrente sanguínea e melhora a oxigenação do organismo e
de áreas estratégicas |
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c) o fígado libera
glicose |
para ser utilizado
como alimento e energia para os músculos e cérebro |
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d) redistribuição
sanguínea |
diminui o sangue
dirigido à pele e vísceras, aumentando para músculos e cérebro |
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e) aumento da
freqüência respiratória e dilatação dos brônquios |
favorece a captação de
mais oxigênio |
|
f) dilatação das
pupilas |
para aumentar a
eficiência visual |
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g) aumento do número
de linfócitos na corrente sanguínea |
preparar os tecidos
para possíveis danos por agentes externos agressores |
Durante a
Fase de Choque predomina a atuação de uma parte deste SNA chamado de Sistema
Simpático, o qual proporciona descargas de adrenalina da medula da glândula
supra-renal e de noradrenalina das fibras pós-ganglionares para a corrente
sanguínea. Alguns estudos mais recentes sugerem que a emoção da raiva,
quando dirigida para fora, estava associada mais à secreção de
noradrenalina. Entretanto, na depressão e a na ansiedade, onde os
sentimentos estão dirigidos mais para si próprio, a secreção de adrenalina
predomina.
Ainda durante o momento em que está havendo estimulação estressante aguda
(Fase de Choque da Reação de Alarme), uma parte do Sistema Nervoso Central
denominado Hipotálamo promove a liberação de um hormônio, o qual, por sua
vez, estimula a hipófise (glândula vizinha ao Hipotálamo) a liberar um outro
hormônio, o ACTH, este ganhando a corrente sanguínea e estimulando as
glândulas Supra-renais para a secreção de corticóides.
Como percebemos, toda a seqüência de acontecimentos tem origem no cérebro, e
o Hipotálamo é que acaba disparando a sucessão de eventos. Ao mesmo tempo em
que esse Hipotálamo está providenciando a estimulação da Hipófise para
secreção do ACTH, também proporciona a secreção outros neuro-hormônios
(hormônios produzidos no cérebro), tais como os chamados peptídeos
cerebrais, como é o caso das endorfinas (que modificam o limiar para dor),
STH (que acelera o metabolismo), prolactina e outros.
Desaparecendo os agentes estressores, todas essas alterações tendem a se
interromper e regredir. Se, no entanto, por alguma razão o organismo
continuadamente submetido à estimulação estressante, portanto, é obrigado a
manter seu esforço de adaptação, uma nova fase acontecerá. Trata-se da Fase
de
Resistência.
Fase de
Resistência
A Fase de Resistência se caracteriza, basicamente, pela hiperatividade da
glândula supra-renal sob influência do Diencéfalo, Hipotálamo e Hipófise.
Nesta fase, mais crônica, há um aumento no volume da supra-renal,
concomitante a uma atrofia do baço e das estruturas linfáticas e um
continuado aumento dos glóbulos brancos do sangue (leucocitose.
Se os estímulos estressores continuam, tornando-se crônicos e repetitivos, a
resposta começa a diminuir de intensidade e pode haver uma antecipação das
respostas. É como se a pessoa começasse a se acostumar com os estressores
mas, não obstante, pudesse também desenvolver a reação diante apenas da
perspectiva ou expectativa do estímulo.
Vamos imaginar, hipoteticamente, uma pessoa que se deparasse com uma cobra
no meio de sua sala, quase todas as vezes que entrasse em casa. Com o tempo
sua reação ao ver a (mesma) cobra tende a diminuir, embora ainda continue
tomando muito cuidado. Vai chegar um momento em que, mesmo não vendo a
cobra, nessa vez que chegou em casa, ficará estressado. Talvez tenha grande
ansiedade ao imaginar onde poderia estar hoje a tal cobra. Diz um ditado que
a diferença entre medo e ansiedade é exatamente essa; medo é encontrar uma
cobra dentro do quarto, e ansiedade é saber que tem uma cobra dentro do
quarto.
Continuando ainda o agente estressor o organismo vai à terceira fase da SGA,
a Fase de
Exaustão.
Fase de
Exaustão
É quando começam a falhar os mecanismos de adaptação e déficit das reservas
de energia. Essa fase é grave, levando à morte de alguns organismos. A
maioria dos sintomas somáticos e psicossomáticos ficam mais exuberantes
nessa fase.
Como se supõe, a resistência do organismo não é ilimitada. O estado de
Resistência é a soma das reações gerais não específicas que se desenvolvem
como resultado da exposição prolongada aos agentes estressores, frente aos
quais desenvolveu-se adaptação e que, posteriormente, o organismo não pode
mantê-la. As modificações biológicas que aparecem nessa fase se assemelham
aquelas da Reação de Alarme, mais precisamente às da fase de choque. Mas,
nesta fase o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só e sobrevém
a falência adaptativa.
DESADAPTAÇÃO E ESGOTAMENTO
Através das
alterações fisiológicas observadas durante a Reação de Alarme (Choque e
Contra-Choque), o ser humano e os animais superiores foram dotados de um
complexo mecanismo fisiológico à disposição da adaptação, mecanismo esse
capaz de promover transformações diante de circunstâncias ameaçadoras, e não
apenas alterando o desempenho físico e visceral do organismo mas, sobretudo,
fornecendo uma quantidade suficiente de ansiedade como requisito psicológico
para a manutenção desse estado de alerta, para viabilizar melhores
possibilidades de ataque ou de fuga.
Enfim, esta Síndrome Geral de Adaptação viabiliza no ser humano as atitudes
adaptativas necessárias para a manutenção da vida diante de um mundo
dinâmico e altamente solicitante. Curiosamente, diante desta maravilhosa
característica adaptativa que proporciona a Síndrome Geral de Adaptação,
intriga-nos o fato de tão brilhante mecanismo defensivo se relacionar com o
desenvolvimento de transtornos emocionais, físicos e psicossomáticos?
Talvez o ser humano, dito civilizado, tenha começado a padecer com a
Síndrome Geral de Adaptação quando seus objetivos, inicialmente colocados à
disposição de sua sobrevivência física, foram deslocados para a sua
sobrevivência social e afetiva. Os agentes estressores que continuamente
estão a estimular a pessoa não são mais apenas ameaças ao seu bem estar
físico e imediato, são, antes disso, também estressores que estimulam uma
tomada de atitude diante de ameaças subjetivas e abstratas.
Talvez, em algum momento de nossa pré-história, o ser humano não necessitava
mais apenas sobreviver, como talvez tenha sido a preocupação absoluta de
nossos ancestrais da caverna, mas necessitava sobreviver socialmente,
profissionalmente, familiarmente e economicamente. Não era mmais necessário
adaptar-se apenas ao aqui e agora, como exigência momentânea de sua
trajetória existencial mas, sobretudo, devia adaptar-se ao seu passado, ao
seu presente e ao seu futuro.
O aqui e agora é apenas uma parte do esforço adaptativo do ser humano e,
mesmo assim, não se trata de uma atitude voltada exclusivamente para a
manutenção prática de sua existência. Psicologicamente a adaptação é
convocada para que o indivíduo exista desta ou daquela forma e não
simplesmente para que exista. Além disso, o ser humano tem que adaptar-se
emocionalmente às suas cicatrizes do passado e às suas perspectivas do
futuro.
O ser humano tem que adaptar-se aos problemas da infância, às perdas e
abandonos sofridos, às agressões, ao medo e frustrações. Tem que adaptar-se
às expectativas que seu grupo social lhe dirige, à uma identidade
conveniente mas nem sempre sincera, adaptar-se à competição e à manutenção
de seu espaço social, às angústias do amor, à conquista da segurança para
seus entes queridos, enfim, tem que adaptar-se às ameaças impalpáveis e
abstratas, ameaças essas encontradas mais em seu próprio interior, como um
inimigo sempre presente, do que fora dele. Tudo isso, ou seja, todos estes
estímulos estressores, são capazes de convocar a Síndrome Geral de Adaptação
por tempo indeterminado.
As reações de estresse resultam do esforço adaptativo. As doenças, bem como
o leigamente conhecido "esgotamento", surgem quando o estímulo estressor for
muito intenso ou muito persistente. É o custo (mental e biológico) do
esforço adaptativo. Os efeitos da Síndrome Geral de Adaptação sobre o
indivíduo cronicamente ao longo do tempo compõem o substrato fisiopatológico
das doenças psicossomáticas. Cada órgão ou sistema é envolvido e apenado
pelas alterações fisiológicas continuadas do estresse, de início apenas
funcionalmente e depois, anatomicamente.
Por causa disso, podemos dizer que as Doenças Psicossomáticas são aquelas
determinadas ou agravadas por motivos emocionais, já que é sempre a emoção
quem detecta a ameaça e o perigo, sejam eles reais, imaginários ou
fantasiosos..
TIPOS DE
ESTRESSORES
Conforme já
comentamos, a ansiedade e o estresse não são monopólios do ser humano. Se
colocarmos um gato junto de um cão feroz num espaço fechado, depois de algum
tempo o gato estará esgotado; primeiro ele terá muita ansiedade, entrará em
estresse e, pela continuidade do estímulo agressivo (presença do cão),
acabará se esgotando.
Tendo em vista o fato do gato representar uma ameaça menos agressiva para o
cão do que o cão representa para ele, o cão ficará esgotado depois do gato.
Nesse caso o cão representa para o gato um estímulo agressivo externo, por
estar fora do gato e, inato, por fazer parte da natureza biológica de todos
os gatos.
Assim sendo, nos animais os estímulos para o desenlace da ansiedade podem
ter duas naturezas e uma só origem: quanto à natureza eles podem ser inatos,
como vimos, do tipo gato tem medo de cachorro ou, por outro lado, podem ser
condicionados por treinamento e experiência. Quanto à origem serão sempre
externos, partindo do pressuposto que os animais não têm condições para
alimentar um conflitos intra-psíquicos.
No ser humano dito civilizado esses estímulos costumam ter, ao contrário dos
animais, duas origens; podem ser externos e, principalmente, internos. Os
estímulos internos são oriundos dos conflitos pessoais os quais, em última
instância, refletem sempre a sensibilidade afetiva de cada um. Os estímulos
externos, por sua vez, representam as ameaças concretas do cotidiano de cada
um.
Como se suspeita, no ser humano modernos os estímulos adquiridos e internos
são aqueles que maior papel desempenham no desencadeamento e manutenção do
estresse. As ameaças normalmente são interiores, abstratas, continuamente
presentes e freqüentemente invencíveis.
Podemos dizer também, que a possibilidade de ficar doente seja uma ameaça
séria, um estímulo ameaçador importante. É claro que é. Entretanto, podemos
experimentar uma grande ansiedade devido ao fato de pensarmos que podemos
ficar doentes ou, ao contrário, se essa idéia não vier sempre à nossa
consciência, não experimentaremos ansiedade com isso. Esse estímulo
estressor é interno e não externo. Seria um estímulo externo caso houvesse,
de fato, sinais de que nossa saúde está abalada. Enquanto houver apenas o
medo de passar mal, de poder ficar doente, isso será uma ameaça interna.
Ora, enquanto nos animais os estímulos agressivos externos aparecem
periodicamente, no ser humano a presença dos estímulos internos pode ser
continuada. Havendo pois, uma afetividade problemática, insegurança e/ou
pessimismo, vamos sentir ameaças internas continuamente. Nessas
circunstâncias podemos ter o esgotamento por persistência do agente
estressor.
É por causa desses estímulos internos contínuos que a ansiedade humana tem
sido constante, exagerada e às vezes patológica. As ameaças externas, pelo
contrário, não costumam ser constantes. Vejamos o caso das ameaças concretas
acerca de nossa segurança pessoal, por exemplo: a ameaça de sermos
assaltados, agredidos, mortos, etc. A possibilidade até existe, nos grandes
centros, mas não é contínua. Há situações onde podemos nos sentir seguros,
racionalmente falando.
Entretanto, o estímulo interno não é tão racional quanto o é emocional. Isso
quer dizer que podemos estar ansiosos devido ao medo de sermos assaltados e
agredidos, embora essa possibilidade seja mínima na prática. Além disso,
podemos nos deparar com o medo do desemprego, da derrota competitiva, da
falta de segurança social e econômica, ou qualquer outra coisa que não se
encontra palpável no tempo ou no espaço (como é o assaltante). Nós vamos
dormir e acordamos com as ameaças internas.
Finalizando, devemos entender que os estímulos necessários para determinar a
ansiedade são proveniente de duas origens: são externos quando se devem à
sucessão de acontecimentos de nossa vida aos quais temos que nos adaptar e
serão internos quando se originam dentro de nós mesmos, de nossos medos,
nossos pensamentos negativos, nossas inseguranças.
A FORÇA DOS
ESTRESSORES
Vários autores tentaram
estabelecer alguma espécie de graduação de importância para os vários
estímulos estressores possíveis no cotidiano. Embora algumas listas possam
dar a idéia de grau ou da força variável dos estressores, como por exemplo,
separação conjugal seria mais estressante que mudança de emprego e menos do
que a morte do filho, essas tabelas perdem o valor quando consideramos que
as pessoas são muito diferentes quanto à sua forma de reagir aos desafios
impostos pela vida.
Algumas pessoas podem superar perfeitamente alguma perda importante,
enquanto outros podem desenvolver um transtorno emocional como resposta à
acontecimentos estressantes de menor importância. As variáveis pessoais
desempenham um papel decisivo na maneira de reagor aos eventos de vida.
De um modo geral, pelo menos é bom termos em mente que existem categorias de
estressores que nos impõem grandes esforços adaptativos, como por exemplo, a
morte de um ente querido, uma grande perda, severos revezes econômicos,
constatação de doença séria, etc., e, ao lado desses, existem os pequenos
acontecimentos estressantes do cotidiano que acontecem com maior frequência
na vida das pessoas e, finalmente, existem ainda a influência dos conflitos
íntimos pessoais.
Mas, além dos acontecimentos eventualmente considerados estressantes, para o
desencadeamento e manutenção do estresse há imperiosa necessidade de uma
vulnerabilidade pessoal à ansiedade. Vulnerabilidade pessoal é uma espécie
de tendência constitucional a reagir mais ansiosamente aos estímulos.
Algumas pessoas reagem com uma ativação fisiológica maior aos acontecimentos
estressantes.
Um exemplo médico que pode se prestar à analogia com o estresse seria,
novamente, o da reação alérgica. Se, dentro de um mesmo ambiente impregnado
de bolor, existirem 10 pessoas e 3 delas reagirem com espirros, coriza e
lacrimejamento como sinal de uma rinite alérgica ao mofo, não se pode,
medicamente falando, alegar a rinite diretamente ao fungo do bolor. Se assim
fosse todos os demais também teriam essa reação. Para ocorrer a reação
alérgica é indispensável existir o mofo mais a sensibilidade pessoal.
ASPECTO PESSOAL
DOS ESTRESSORES
Nossa capacidade de
conhecer o mundo decorre de nossa percepção pessoal da realidade. Essa
percepção pessoal da realidade, diferente em cada um de nós, é chamada de
procepção da realidade. O principal conhecimento que devemos ter disso, é
que a realidade será sempre representada intimamente e de acordo com os
filtros afetivos de cada um, ou seja, de acordo com a sensibilidade
(afetiva) de cada um.
A percepção pessoal da realidade engloba toda a realidade ou toda nossa
maneira de ver e sentir o mundo e só à essa realidade (única para nós) nos
reportaremos. Engloba não apenas a concepção que temos das coisas que estão
fora da gente, como também os conceitos que cultivamos dentro da gente. Isso
inclui também a imagem que nós temos de nós mesmos, ou seja, inclui nossa
própria auto-estima.
Essa auto-estima, por exemplo, poderá ser representada mais negativamente ou
mais positivamente, de acordo com a tonalidade afetiva de cada um. Algumas
pessoas se vêem ótimos, outras se vêem péssimos. Assim sendo, a idéia que
temos de nós mesmos pode, por si só, ser um estímulo agressivo e causador de
ansiedade, caso seja uma idéia de nós seja uma idéia ruim e que nos perturba
constantemente.
Mesmo em se tratando de um eventual estímulo externo, proveniente do mundo
objetivo e concreto, sua natureza agressiva poderá ser mais traumática ou
menos traumática, ou seja, mais estressante ou menos estressante, dependendo
da conotação mais agressiva ou menos agressiva à ele atribuída por nossa
sensibilidade (afetiva). Ter que falar em público, por exemplo, pode
representar uma ameaça maior ou menor, dependendo das circunstâncias
pessoais.
Ballone GJ -
Curso sobre Estresse - in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet,
1999 - disponível em http://www.psiqweb.med.br/cursos/stress1.html
DICAS PARA CONTROLAR O ESTRESSE
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Aprenda a identificar as situações que
provocam tensão.
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Planeje melhor as atividades para evitar
acúmulo.
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Diminua o nível de exigência consigo
mesmo(a) e com os outros. Isso pode facilitar o manejo de situações que
trazem ansiedade.
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Procure ter momentos de lazer e descanso;
planeje férias.
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Divida as atividades com familiares e/ou
amigos quando houver excesso ou sentir que
precisa de ajuda.
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Exercícios físicos e técnicas de
relaxamento podem ajudar no manejo do estresse.
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Os momentos de maior desgaste podem ser
compensados com a realização de atividades que dão prazer. Dê prioridade ao
que realmente é importante para você.
(Fonte: CARTILHA DO
HIPERTENSO Nº 7-2001, Secretaria de Estado da Saúde do Paraná).
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SAÚDE
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