ELLEN WHITE E A ASTRONOMIA
07/10/2009
Assim como os profetas hebreus, Ellen White via em suas visões proféticas o que afirmava o conhecimento de sua época.
Ellen Gould White e a Astronomia
Autor : Prof. Paulo Cristiano Publicado em : Quinta, 15/03/2007
Influências do contexto da época
_______________________________________
Um fato que se deve levar em conta quando se estuda a fenomenologia das
seitas é seu contexto sociocultural onde ela se desenvolve. É sabido que
muitos paradigmas doutrinários dentro destes movimentos se estruturaram
por influencias externas.
Por exemplo, certas normas éticas que se observam em muitos grupos
religiosos não passam do reflexo da cultura o qual está condicionado.
Certos tipos de vestuários, hábitos, costumes alimentares e até
saudações profundamente arraigados na estrutura ética das seitas, que as
diferenciam, explica-se devido a estas influências.
Dentro de certo contexto podemos admitir, que a máxima popular que
afirma ser o homem “o produto do meio onde vive”, possui seu quinhão de
veracidade.
Em se tratando de movimentos sectários com forte reivindicação de
religião revelada e caráter profético intensifica-se ainda mais esta
dependência.
É que ao se estruturar como instituição religiosa tais movimentos tende
a se adaptar aos condicionamentos sociais, adquirindo respeitabilidade
social. Nesta nuança comportamental e organizacional os líderes de
seitas procuram contextualizar suas revelações.
Ultimamente muitas delas tentando escoimar o estigma de misticismo
apelam para um lado mais “científico” da religião. Procuram se
auto afirmar com “absoluta” precisão científica. Esta nova mudança
verifica-se facilmente na semântica e até no nome da seita. É este o
caso da cultura Racional, Cientologia, Racionalismo cristão, Ciência
cristã e outros.
Para impressionar os mais incautos procuram basear essa convergência com
a ciência, em supostas “revelações divinas”, mas que com o passar dos
anos se mostraram totalmente inadequadas com as novas descobertas
científicas, provando assim, que tais revelações nada mais eram que o
produto do meio científico que então prevalecia. Era apenas o
reflexo do conhecimento do líder, não tendo nada a ver com revelações
divinas.
As visões de EGW sobre o sistema solar
Em 1846 Ellen White teve uma " visão " do sistema solar, onde muitas
coisas lhe foram reveladas, dentre elas temos as seguintes:
1° - Ela obteve conhecimento da existência de outros mundos habitados;
2° - As pessoas destes mundos eram semelhante aos habitantes da terra,
só que mais altos, nobres e majestosos;
3° - Encontrou Enoque, passeando em um desses mundos;
4° - Que essas pessoas viviam debaixo da lei ou dos mandamentos de Deus;
5° - Que dois destes planetas tinham quatro e sete luas.
Diz ela:
“O Senhor me proporcionou uma vista de outros mundos. Foram-me dadas
asas, e um anjo me acompanhou da cidade a um lugar fulgurante e
glorioso. A relva era de um verde vivo, e os pássaros gorjeavam ali
cânticos suaves. Os habitantes do lugar eram de todas as estaturas;
nobres, majestosos e formosos. Ostentavam a expressa imagem de Jesus, e
seu semblante irradiava santa alegria, que era uma expressão da
liberdade e felicidade do lugar.
Perguntei a um deles por que eram muito mais formosos que os da Terra. A
resposta foi:
- Vivemos em estrita obediência aos mandamentos de Deus, e não caímos em
desobediência, como os habitantes da Terra.
Vi então duas árvores. Uma se assemelhava muito à árvore da vida,
existente na cidade. O fruto de ambas tinha belo aspecto, mas o de uma
delas não era permitido comer. Tinham a faculdade de comer de ambas, mas
era-lhes vedado comer de uma. Então meu anjo assistente me disse:
- Ninguém aqui provou da árvore proibida; se, porém, comessem, cairiam.”
Prossegue: “Então fui levada a um mundo que tinha sete luas.
Vi ali o bom e velho Enoque que tinha sido trasladado. Em sua destra
havia uma palma resplendente, e em cada folha estava escrito: "Vitória."
Pendia-lhe da cabeça uma grinalda branca, deslumbrante, com folhas, e no
meio de cada folha estava escrito: "Pureza", e em redor da grinalda
havia pedras de várias cores que resplandeciam mais do que as estrelas,
e lançavam um reflexo sobre as letras, aumentando-lhes o volume. Na
parte posterior da cabeça havia um arco em que rematava a grinalda, e
nele estava escrito: "Santidade." Sobre a grinalda havia uma linda coroa
que brilhava mais do que o Sol. Perguntei-lhe se este era o lugar para
onde fora transportado da Terra. Ele disse:
- Não é; minha morada é na cidade, e eu vim visitar este lugar.
Ele percorria o lugar como se realmente estivesse em sua casa. Pedi ao
meu anjo assistente que me deixasse ficar ali. Não podia suportar o
pensamento de voltar a este mundo tenebroso.
Disse então o anjo:
- Deves voltar e, se fores fiel, juntamente com os 144.000 terás o
privilégio de visitar todos os mundos e ver a obra das mãos de Deus.”
(Vida e Ensinos pág. 96-98).
Analisando a visão
Se Ellen White se aventurasse apenas a descrever tal visão de modo
geral, sem especificar concretamente, tudo bem. Mas para sua
infelicidade e derrocada ela quis particularizar e explicar quais eram
esses mundos, e aí ela cava sua própria sepultura.
Quando ela teve essa visão a sra. Truesdail, que fazia parte do
movimento, estava presente. Ela descreve como a sra. White viu pessoas
altas e majestosas que moravam em Júpiter ou Saturno.
" A Irmã White estava muito fraca de saúde, e enquanto foram oferecidas
orações ao lado dela, o Espírito de Deus repousou sobre nós. Notamos
logo que ela era insensível a assuntos terrestres. Esta era sua primeira
visão do mundo planetário. Depois de contar as luas de Júpiter em voz
alta, e em seguida as de Saturno, ela deu uma descrição bonita dos
anéis. Ela disse então, ' Os habitantes são pessoas altas, majestosas,
ao contrário dos habitantes de terra. O Pecado nunca entrou aqui. '" (Taken
from Mrs. Truesdail's letter, Jan 27, 1891)
Em 1847, ela e seu esposo Tiago White publicaram essa visão, reafirmando
que ela viu realmente os planetas Júpiter e Saturno e depois que saiu da
visão poderia dar uma descrição clara de seus satélites, apesar de nunca
ter aprendido astronomia. (A Word to the Little Flock, p. 22)
A visão foi tão clara que ela conseguiu ver as luas de cada planeta.
Segundo o pioneiro J.N. Loughborough, ela disse que durante a visão
estava vendo 4 lua, o que foi identificado com Júpiter pelo pastor
Joseph Bates, e outro que possuía sete luas, também identificado por
Bates como Saturno. (Great Second Advent Movement, p. 258)
Ora, Ellen White havia dito que foram lhe dada asas para voar de um
planeta a outro. Nestas condições extraordinária de viajar pelo sistema
solar ela teria plena capacidade de descrever de modo minucioso tais
astros. Mas foi isso que ocorreu?
Vejamos:
Ela descreve que Júpiter tinha quatro luas, mas
hoje sabemos que Júpiter possui 16 satélites ao todo. Ela também
afirmou que Saturno tinha sete luas, mas sabemos que
os cientistas já descobriram no mínimo 18
satélites em Saturno.
Ora, como ela poderia ter errado em coisas tão básicas a respeito destes
planetas, quando seu marido havia dito que ela, após a visão, poderia
“dar uma descrição clara de seus satélites”?
E o que dizer das pessoas altas, majestosas e formosas destes planetas?
É verdadeira essa descrição? Há realmente pessoas altas, majestosas que
moram em Júpiter e Saturno? Isto poderia até ter parecido plausível às
pessoas em 1846, mas hoje já não mais se sustenta diante das descobertas
científicas envolvendo estes planetas. O que sabemos é que as condições
em ambos os planetas são extremamente inospitaleiras à vida.
1. Estes planetas não têm nenhuma superfície
sólida como a terra. As superfícies consistem em um mar de hidrogênio
líquido.
2. A pressão atmosférica é milhões de vezes maior que a terra.
A pressão é bastante forte para esmagar os metais
mais resistentes.
Numerosas sondas espaciais que usam tecnologia avançada examinaram estes
planetas e não descobriram qualquer vestígio de vida, nem mesmo uma
simples minhoca existe lá.
3. Nenhuma planta. Nenhum animal e muito menos pessoas altas e
majestosas. Nada mais que hidrogênio, hélio e outros gases.
A sra. White viajou de modo sobrenatural de Júpiter Saturno para ver as
"pessoas" altas, majestosas que vivem lá, mas inexplicavelmente ela
deixou de notar os seguintes detalhes:
Pelo menos mais 12 luas em Júpiter
Pelo menos mais 11 luas em Saturno
Pelo menos 9 das luas de Urano
Os anéis ao redor de Júpiter
Os anéis ao redor do Urano
Por que ela viu só o que astrônomos já tinham visto?
Quando sra. White teve essa visão era conhecimento comum que Júpiter
tinha apenas quatro luas. O quinto satélite não havia sido descoberto
até 1892. Como vimos há 16 luas pelo menos. Outrossim, naquela época
haviam descoberto em Saturno sete luas.
A visão de Ellen White não revelou nada que não
poderia ter sido obtido em um livro de Astronomia ou até mesmo de um
artigo de jornal da época! A única diferença entre o que a
sra. White viu e o que os astrônomos viram pelo telescópio é sobre essas
"pessoas" altas e majestosas!
Imagine se ela tivesse contado para Bates que Júpiter tinha quatro luas
grandes e 12 luas menores! O dom profético dela teria sido sem dúvida
confirmado nas gerações futuras. Infelizmente, ela perdeu esta grande
oportunidade. Imagine se ela houvesse anunciado que Júpiter tinha anéis!
Depois de considerar o que ela viu e o que ela não viu, nós lhe fazemos
esta pergunta: Era esta uma visão de Deus ou
apenas conhecimento astronômico da época?
A Verdadeira razão de tudo
Parece que a verdadeira razão desta visão fora para impressionar o
marinheiro Joseph Bates que até então se posicionara contra as
manifestações “sobrenaturais” de Ellen White. Sem dúvida os White sabiam
que Bates era apaixonado por astronomia. Levantando a hipótese de que
Ellen era ignorante em assuntos astronômicos, então tais conhecimentos
legitimavam seu dom como profetisa e visionária da novel seita, perante
Bates.
Isto posto é impossível acreditar no que Arnaldo Christianini
afirmou em seu livro “Subtilezas do Erro” na página 35.
“Os Testemunhos orais ou escritos da Sra. White...tudo quanto disse e
escreveu foi,...cientificamente correto...”
<http://www.cacp.org.br/adventismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=45&menu=1&submenu=1>