COMO UM PRIMATA VIROU HOMEM -- 23/02/2003 -

Há cerca de cinco ou seis milhões de anos, o clima da Terra era mais quente e úmido do que hoje, imaginam cientistas com base em alguns dados arqueológicos. Portanto, todo o continente africano, incluindo o atual Deserto do Saara, era coberto por densa floresta tropical. O vento úmido proveniente do Oceano Atlântico fornecia abundante chuva para essa selva africana. Na floresta, proliferou-se um pequeno animal parecido com o chimpanzé, ao qual convencionou-se atualmente dar o nome de “proconsul”. Considera-se que esse animal foi o ancestral comum do homem, do chimpanzé e do gorila.

Há aproximadamente cinco milhões de anos, houve um importante evento nesse paraíso tropical, onde habitava o proconsul. Na parte central da África, surgiu uma serra alta de cerca de quatro mil metros, dividindo a floresta densa nas partes oriental e ocidental. Portanto, o proconsul de uma região foi isolado do da outra. Quando o vento úmido do Oceano Atlântico chegou a essa serra, a umidade no ar caiu na forma de chuva e soprou um vento seco na região oriental. A partir dessa época, o clima mundial mudou, passando a ser mais frio e menos úmido. Portanto, a África oriental tornou-se, e continua até hoje, semidesértica devido ao clima árido. Dessa forma, sua floresta tropical desapareceu rapidamente.

O proconsul dessa região perdeu comida e residência. Os indivíduos fortes ainda conseguiram ficar nas poucas árvores como os vencedores, porém, os fracos foram expulsos. Atualmente, na fauna dessa região, caracterizada pela savana, estão presentes ferozes predadores, como o leão. Naquele tempo havia também poderosos animais carnívoros. O proconsul que desceu da árvore para o chão não podia correr rapidamente, por ser muito fraco. Era, portanto, presa fácil dos predadores. Assim, a espécie proconsul foi morrendo gradativamente. Isso levou, finalmente, à extinção dessa espécie.

Entretanto, entre os fracos da mata, surgiu um de um tipo especial. Para não morrer, ele se levantou sobre duas pernas, pegou um pedaço de pau ou pedra e lutou contra os predadores. Esses foram nossos ancestrais, os homens primitivos. O ser humano conseguiu sobreviver na savana, utilizando-se de instrumentos e sabedoria.

O clima dessa região mudou ainda mais, e as pequenas florestas desapareceram. Os macacos existentes nesses locais foram totalmente extintos. Quem sobreviveu foi o humano primitivo, considerado fraco, mas que aprendeu a se defender. Dessa forma, pode-se dizer que somos descendentes dessa espécie de sorte extremamente grande.

O ser humano desenvolveu seu cérebro e tornou-se forte. Da África oriental, foi para a Arábia, Ásia e Europa. Além disso, no período glacial, chegou aos continentes americanos, distribuindo-se pelo mundo inteiro. Os homens daquele tempo eram carnívoros e viviam da caça. Porém, após se iniciar na agricultura, há dez mil anos, passou a alimentar-se também de folhas.
Em contrapartida, a parte ocidental do Continente Africano continuou quente e úmida e a floresta tropical permanece até o presente. O proconsul dessa floresta não se modificou muito em seu aspecto físico e tornou-se o atual chimpanzé. Devido à continuidade do paraíso tropical, sem nenhuma crise fatal, não houve a necessidade de evolução.

Comparando os acontecimentos da África oriental e ocidental, pode-se dizer que os macacos atuais não podem evoluir para o homem. O surgimento do ser humano ocorreu graças à vitória sobre a extinção por meio das lutas mortais e da rara sorte. Tal evolução não ocorreu no paraíso tropical, isto é, não há evolução em um ambiente favorável.

O mesmo pode ser aplicado aos humanos. Quem conseguiu levantar-se a partir de uma crise obteve um extraordinário desenvolvimento. Como se vê, a vida está cheia de obstáculos, porém, estes são mais que necessários para nossa evolução individual.


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